-->
No continente africano a prática da escravidão era algo muito
presente no cotidiano das sociedades e se apresentava de formas
variadas como: a escravidão doméstice e a voluntária. Entretanto,
a partir do contato com mulçumanos islamizados no século VIII e com
europeus no século XV tomará novos rumos assumindo um caráter
mercantil.
Dentre as circunstâncias que colaboraram com a prática da
escravidão pelos africanos está a “concepção de família
extensa, as dificuldades impostas pelo meio físico” e a demanda
por mão de obra. Assim, a título de exemplo destaca-se a escravidão
doméstica caracterizada pelo uso do cativo no trabalho na
agricultura e, a escravidão voluntária, “na qual indivíduos
livres entregavam-se à escravidão movodos pela fome, pelo abandono
uo por outras ameaças”. É importante ressaltar a preferência por
escravas e crianças devido a fácil adaptação ao trabalho na
lavoura e a possibilidade de ampliação das famílias por meio de
casamentos ou do concumbinato, bem como pela aceitação das crianças
dentro do grupo. Durante todo esse processo apenas indivíduos de
outros grupos eram escravizados, ou seja o escravo representava o
“outro, o estrangeiro”, não havendo uma identidade própria de
africano. Tal fator contribuiu para que mais tarde o tráfico
transatlâtico se tornasse lucrativo não apenas para árabes e
europeus, como também para a elite de algumas sociedades africanas.
O contato com os árabes a partir do século VIII resultou numa nova
instituição da escravidão conhecida como mercantil, o escravo
tornou-se uma simples mercadoria, negociável como um objeto qualquer
dando muito lucro aos mulçumanos envolvidos no comércio
intercontinental. Nesse sentido, foi fundamental o processo de
islamização através do qual os povos converteram-se a religião
islâmica. A islamização influenciou na escravização mercantil,
pois segundo um de seus preceitos a difusão da religião poderia
ocorrer por meio das guerras santas - jihads, contribuindo para
aumentar o número de cativos. Portanto, modificou a concepção e o
caráter da escravização de algumas sociedades da África
Subsaariana que movidas por interesses comerciais enxergam na nova atividade uma maneira de aumentar seu
poder. Além da existência da escravidão nas sociedades africanas e
da islamização, outro fator contribuiu para que o tráfico
transatlântico se tornasse uma atividade econômica lucrativa: o
contato com os eurpeus a partir do século XV. Com a intensificação
das relações comerciais entre europeus e africanos surge uma
demanda por novos produtos vindos da Europa. “O consumo de produtos
europeus (ou comercializados por eles)tinha um sentido...mais
simbólico do que econômico propriamente dito. Tratava-se mais de
uma forma encontrada pelas chefias e elites locais para demonstrar
prestígio e distinção social”. (Aula 11, p.6). Isso indica as
vantagens da comercialização entre africanos e europeus. Ainda,
com a implementação do sistema colonial a busca por mão de
obra amplia o tráfico de africanos através do Atlântico.
Conclui-se que, movidos por interesse de cunho político, econômico
e social alguns povos africanos participaram ativamente do tráfico
transatlântico de escravos contribuindo, sobremaneira para seu
desenvolvimento no mundo.
Referências Bibliográficas
Da escravidão ao comércio de escravos. Material produzido para o curso de História do Pro-licenciatura.Texto da aula 10. Disponível em : www.licenciaturaadistancia.net
SILVA,
Daniel B. Domingues da. A participáção africana no tráfico de
escravos. Disponível em:
www.conexãoprofessor.rj.gov.br/temas-especiais-28b.asp. Último
acesso em: 14/11/2010 às 13:31

