5 de outubro de 2011

Tráfico transatlântico de escravos...


-->
No continente africano a prática da escravidão era algo muito presente no cotidiano das sociedades e se apresentava de formas variadas como: a escravidão doméstice e a voluntária. Entretanto, a partir do contato com mulçumanos islamizados no século VIII e com europeus no século XV tomará novos rumos assumindo um caráter mercantil.
Dentre as circunstâncias que colaboraram com a prática da escravidão pelos africanos está a “concepção de família extensa, as dificuldades impostas pelo meio físico” e a demanda por mão de obra. Assim, a título de exemplo destaca-se a escravidão doméstica caracterizada pelo uso do cativo no trabalho na agricultura e, a escravidão voluntária, “na qual indivíduos livres entregavam-se à escravidão movodos pela fome, pelo abandono uo por outras ameaças”. É importante ressaltar a preferência por escravas e crianças devido a fácil adaptação ao trabalho na lavoura e a possibilidade de ampliação das famílias por meio de casamentos ou do concumbinato, bem como pela aceitação das crianças dentro do grupo. Durante todo esse processo apenas indivíduos de outros grupos eram escravizados, ou seja o escravo representava o “outro, o estrangeiro”, não havendo uma identidade própria de africano. Tal fator contribuiu para que mais tarde o tráfico transatlâtico se tornasse lucrativo não apenas para árabes e europeus, como também para a elite de algumas sociedades africanas.
O contato com os árabes a partir do século VIII resultou numa nova instituição da escravidão conhecida como mercantil, o escravo tornou-se uma simples mercadoria, negociável como um objeto qualquer dando muito lucro aos mulçumanos envolvidos no comércio intercontinental. Nesse sentido, foi fundamental o processo de islamização através do qual os povos converteram-se a religião islâmica. A islamização influenciou na escravização mercantil, pois segundo um de seus preceitos a difusão da religião poderia ocorrer por meio das guerras santas - jihads, contribuindo para aumentar o número de cativos. Portanto, modificou a concepção e o caráter da escravização de algumas sociedades da África Subsaariana que movidas por interesses comerciais enxergam na nova atividade uma maneira de aumentar seu poder. Além da existência da escravidão nas sociedades africanas e da islamização, outro fator contribuiu para que o tráfico transatlântico se tornasse uma atividade econômica lucrativa: o contato com os eurpeus a partir do século XV. Com a intensificação das relações comerciais entre europeus e africanos surge uma demanda por novos produtos vindos da Europa. “O consumo de produtos europeus (ou comercializados por eles)tinha um sentido...mais simbólico do que econômico propriamente dito. Tratava-se mais de uma forma encontrada pelas chefias e elites locais para demonstrar prestígio e distinção social”. (Aula 11, p.6). Isso indica as vantagens da comercialização entre africanos e europeus. Ainda, com a implementação do sistema colonial a busca por mão de obra amplia o tráfico de africanos através do Atlântico.
-->
Conclui-se que, movidos por interesse de cunho político, econômico e social alguns povos africanos participaram ativamente do tráfico transatlântico de escravos contribuindo, sobremaneira para seu desenvolvimento no mundo.


Referências Bibliográficas

Da escravidão ao comércio de escravos. Material produzido para o curso de História do Pro-licenciatura.Texto da aula 10. Disponível em : www.licenciaturaadistancia.net 

-->
SILVA, Daniel B. Domingues da. A participáção africana no tráfico de escravos. Disponível em: www.conexãoprofessor.rj.gov.br/temas-especiais-28b.asp. Último acesso em: 14/11/2010 às 13:31