1 de fevereiro de 2010

A América Latina entre os séculos XIX e XX


A América Latina entre 1870 e 1930 viveu um período de grande desenvolvimento em razão dos investimentos do capital estrangeiro em vários setores da economia. Esse processo de expansão econômica gerou por um lado crescimento urbano, industrialização e por lado, aprofundou as desigualdades sociais, desencadeou os movimentos operários e modificou o cenário político da época.
Com a formação do capital financeiro e a expansão imperialista se iniciou uma disputa entre as nações capitalistas em busca de mercados produtores e consumidores. Essas nações viram na América Latina ?uma região privilegiada? onde investir seus capitais excedentes e passam a estabelecer sua política neocolonialista, inserindo-a ?às características globais do desenvolvimento capitalista delineadas no conjunto europeu?(p.318, 2000)
(VICENTINO, 2000, p.318). Assim, devido à hegemonia do capital estrangeiro expandiu-se a atividade mineradora, construíram-se e ampliaram-se ferrovias e portos, realizaram-se reformas urbanas o que possibilitou o aumento da produtividade e surgimento de novas áreas comerciais. A título de exemplo, podemos citar: no México com as exportações se deu o crescimento da atividade mineradora, na Argentina houve ?crescimento da produção de lã, de carne e de trigo? (p.12, Aula 01) e na América Central o desenvolvimento da produção de bananas devido o monopólio de empresas norte-americanas. Também não podemos esquecer os investimentos norte-americanos na região Andina sobre a mineração no Peru e Chile - cobre.
Porém, à custa dessa expansão econômica a América Latina tornou-se dependente do capital externo passando a sofrer a influência, o controle, o domínio das nações imperialistas e, aprofundaram-se as desigualdades econômicas e sociais. A expansão da economia gerou benefícios apenas a uma parcela da sociedade os grandes proprietários rurais e comerciantes que atrelaram seus interesses ao do imperialismo. Entretanto, os camponeses com a valorização das terras e a expansão das áreas agrícolas perderam suas terras e o acesso à produção de subsistência sendo obrigados a migrar para as cidades em busca de trabalho e melhores condições de vida. Nem mesmo a classe média urbana teve acesso ?aos bens materiais e culturais disponíveis? (p.14, Aula 01).
Durante o processo de expansão neocolonial, muitas cidades desenvolveram-se atraindo os camponeses sem terras e imigrantes europeus. O contato com as idéias socialistas dos imigrantes inspirou a organização e a mobilização política dos operários que criaram sindicatos e filiaram-se a partidos revolucionários de maneira a reivindicar por direitos. Nesse contexto, os movimentos operários desencadearam mudanças no panorama político à medida que surgem novos atores sociais e políticos que pressionam e exigem novos direitos sociais. Dessa forma, é que se desenvolve no Uruguai a partir de 1903 o Batllismo sob a liderança de José Batlle y Ordõnes que promove alterações nas relações político-econômicas e redução nas desigualdades sociais. Enquanto que, na Argentina a ascensão do radicalismo de tendência conservadora impõe transformações econômicas distanciando-se, porém das questões sociais.
A problemática político-econômica e social é agravada a partir da crise de 1929(a quebra da bolsa de New York) quando o liberalismo torna-se desacreditado, produtividade entre em queda, o modelo primário-exportador entra em crise e difundiram-se pelo mundo as experiências comunistas que inspiraram a organização dos trabalhadores e amedrontaram os governantes, implicando transformações significantes no panorama social e político latino-americano, como por exemplo o advento do populismo: Perón na Argentina e Cárdenas no México.
As interferências empreendidas pela política imperialista e neocolonial no século XIX nos países latino-americanos os colocaram em situação de dependência econômica em relação às nações capitalistas. Assim, é que entre 1870 e 1930 torna-se período de grande desenvolvimento na América Latina devido aos investimentos estrangeiros na industrialização, na urbanização, no transporte, etc. Mudanças que se refletiram no agravamento das desigualdades sociais, da exclusão e ao mesmo tempo possibilitaram a formação de movimentos de trabalhadores, e impuseram transformações sociais, econômicas e políticas.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

VICENTINO, Cláudio. História Geral-Ensino Médio: volume único. São Paulo: Scipione, 2000. (Coleção Novos Tempos).
LAIDER, Christiane Vieira. História da América III e V. Texto das aulas 01 a 05. Rio de Janeiro. Ed. PUC-Rio: UERJ, 2009.


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